
Hoje, depois de muito tentar, consegui assistir a peça “Avenida dropsie”, da companhia Sutil de teatro, em cartaz na Fiesp, na avenida Paulista. A peça fala sobre algo comum, o cotidiano das grandes cidades. Algo simples, que passa totalmente despercebido aos nossos olhos.
(Talvez por despreocupação, talvez por egoísmo…)
O cenário é incrível, é uma avenida, com um prédio de 3 andares,que ao meu ver, é o grande protagonista da peça!
Nele, 8 atores se multiplicam em inúmeros personagens, para trazer aos nossos olhos, de uma forma poética, irônica e Sútil, tudo aquilo que se passa nas grandes cidades do mundo.
Aquela avenida é atemporal. Poderia ser uma avenida de São Paulo, Londres, Tókio…

O que mais me fez pensar sobre o texto, foi a solidão em que se vive nas grandes cidades, as dificuldades e a falta de solidariedade que ocorre, por pura proteção,medo e desconfiança.
Não tive como não comparar com a cena de Closser,em que a Alice está na vernissage da Ana e conversa com o Larry sobre “arte”:
“Larry: Você gostou?
Alice: Não.
Larry: Por que?
Alice: É tudo uma mentira. Um monte de estranhos sendo retratados de uma forma linda, porque é aquilo que este bando de pessoas querem ver…No fundo, estas pessoas das fotos estão tristes e sozinhas! A exposição faz com que elas se tornem bonitas o que é uma mentira. Mas todo mundo adora uma grande mentira!”
(Não me lembro muito bem do texto, mas é algo do tipo)
Fiz esta comparação, pois as pessoas da peça também estão tristes e sozinhas. É tudo meio cinza, como a cor nas grandes cidades… Há chuva e desespero dentro de cada personagem!
As pessoas que vivem nas grandes cidades, sabem que isto tudo é uma forma de proteção. Não se envolver com os vizinhos, não olhar nos olhos das pessoas quando se caminha nas ruas, não aceitar um sorriso dado à você por um estranho, não ajudar as pessoas em dificuldade…Isso tudo é uma forma de sobrevivência!
Qual a diferença entre nós e a Barata? A diferença é que nós sempre queremos saber o Por quê!
Bem, o texto da peça nunca será demodé. A trilha sonora age como um pano de fundo para nossos pensamentos, e a atuação é uma coisa incrível! Todos muito bem preparados e amando cada uma daquelas pessoas que passaram pela Avenida Dropsie naquele sábado a noite…
Apesar da mensagem da peça ser de que nós vivemos em uma cápsula protetora, difícil de ser quebrada, algo de inusitado aconteceu comigo depois do espetáculo…
Saindo da peça, fui ao banheiro, e todas as cabines estavam ocupadas. Fiquei na fila. Uma menina chegou até mim e disse:
“Você estava do meu lado na peça! A nossa fileira não era das melhores, mas o espetáculo foi incrível” Eu respondi concordando com ela e pensei…
O Texto de Will Eisner foi tão genial que conseguiu fazer com que ela quebrasse a cápsula protetora da indiferença!
Isso pra mim já valeu, e muito o ingresso!
EU USO:
esmalte vermelho e bota de Caubói.





